quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Técnico Flávio Campos abre o jogo sobre sua demissão no Lajeadense


Ex-técnico abriu o jogo sobre sua demissão, as desavenças com
 jogadores e os planos futuros na carreira de treinador

Um vice-campeonato gaúcho, além da participação inédita numa competição nacional. A passagem do técnico Flávio Campos pelo Lajeadense sem dúvida foi marcante. Disciplinador, com a aplicação de regras “fora do comum” para o cotidiano de quem trabalha diariamente com o clube, além de mudanças estruturais na maneira de se fazer futebol, foram algumas das marcas no tempo em que Campos comandou a casamata do Estádio Alviazul.

Desligado após a derrota de 3x0 para o Botafogo-SP pela 8ª rodada do Grupo 8 do Campeonato Brasileiro da Série D, no início do mês, o treinador deixou Lajeado com o sentimento de que poderia ter feito mais. Um possível racha no grupo de jogadores, além de atos de indisciplina e despensas também marcaram a trajetória do técnico carioca pelo Vale do Taquari.

Afastado desde então dos campos, o profissional estuda propostas de clubes da Série B e C do Campeonato Brasileiro, e deve voltar ao trabalho em breve. 

ENTREVISTA

A saída do clube

“Foi uma situação que me pegou de surpresa. Pela forma rápida como foi, não esperava ser demitido. No momento da declaração do presidente (Mário Dutra) não concordei, mas aceitei. A situação do grupo estava sob controle e tínhamos um planejamento encaminhado para buscar a classificação na Série D. A derrota para o Botafogo-SP era algo aceitável, até porque a próxima partida era dentro de casa (Metropolitano), local que, sob o meu comando, o grupo não tinha perdido ainda. Nessa sequência do ano, desejo sorte ao professor Bennhur (Pereira) e pode ter certeza que saio pela porta da frente, sem mágoas ou rancor de ninguém”. 

Cleverson 

“Se eu soubesse que o afastamento dele (Cleverson) daria tanta repercussão e poderia ser um dos fatores para que eu fosse demitido do clube, ainda assim, teria feito a mesma coisa. Naquele momento foi o procedimento que achei certo. O jogador desrespeitou a entidade que ele representa. Não foi o Flávio o atingido quando ele jogou a camisa no chão; foi com o próprio Lajeadense que ele faltou com respeito. Acredito que foi um caso isolado que acabou atingindo uma dimensão que ninguém esperava. Mas quanto à minha posição nesse fato não me arrependo de nada”.

Jô e Deivison

“A tomada de decisão para o desligamento dos dois jogadores (Jô e Deivison) foi exclusivamente do presidente. Fiquei sabendo no outro dia que não contava mais com os atletas. Segundo o que me passaram, foi uma situação grave, envolvendo pessoas alheias ao clube. Se isso realmente aconteceu, tem que demitir mesmo. A atitude do presidente foi correta, mas sabemos que isso ocorre em diversos clubes do país. Alguns omitem, outros tratam com normalidade, outros ainda acatam. É tudo uma questão de política, da forma de ver com seriedade o futebol, além de outras questões, como multas rescisórias elevadas e identificação do jogador com o clube e a torcida".

Proposta no Gauchão
“Na derrota para o Inter (quartas de final da Taça Farroupilha), em Caxias do Sul, entrei em campo com uma proposta concreta nas mãos para treinar o Asa na Série B do Brasileiro. Preferi apostar que poderíamos fazer algo inédito e histórico no Lajeadense, o que infelizmente não se concretizou.”

As chances na Série D


“Mesmo com uma verba inferior em relação às outras equipes do nosso grupo, confiávamos que poderíamos vencer. Salário não entra em campo, e nosso grupo estava focado para buscar um algo a mais para o clube. Estando de fora, agora, fica complicado falar. Mas acredito que buscaríamos uma vaga na próxima fase da competição pela forma com que a equipe vinha atuando e pelo calendário das partidas”.

Projetos


“Voltei ao Rio de Janeiro e atualmente estudo duas propostas para voltar a trabalhar: Um clube da Série B e outro da C do Brasileiro mostraram interesse e estamos conversando. Vou fazer o que for melhor pra mim e para minha família. Devo definir nos próximos dias meu futuro. É bom saber que o trabalho foi bem feito aí no sul, o que desperta o interesse de outros clubes”.


Diogo Botti | Informativo do Vale